
Rotina vivenciada por palestinos é retratada em palestra
A psicóloga Laila Atshan relatou situações de violência vividas no país e como elas afetam a saúde coletiva mental dos moradores da Palestina
Texto: Camila Godoy
Fotos: Camila Caetano
No último dia do 11º Congresso de Saúde Coletiva (Abrascão), realizado no Câmpus Samambaia da UFG, a psicóloga Laila Atshan emocionou o público ao relatar a situação de violência sofrida pelos palestinos. A palestra ministrada por Atshan no sábado (01/08), foi uma leitura de saúde coletiva diferente das apresentadas até então. Através de histórias vividas no país, que sofre ocupação militar desde 1948, a psicóloga explicou como a saúde coletiva mental de seus conterrâneos tem sofrido abalos e traumas, transmitidos às crianças. O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzbien, e o presidente do Abrasão, Elias Rassi Neto, também estiveram presentes.
A professora de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UNB), Muna Odeh, foi quem recebeu a convidada internacional. Ela destacou como os brasileiros poderiam aprender com as experiências relatadas por Laila Atshan. “Quando se fala em ocupação militar, pensamos em guerra constante, mas a abordagem será sobre a violência diária que interfere na vida e na saúde de todos. Atshan traz um olhar muito interessante, ela é consultora da Unicef e de diversas outras organizações e tem trabalhado com vítimas da violência”, disse.
Muna Odeh apresentou a palestrante convidada e explicou como aquele momento ajudaria na formação dos brasileiros
Emocionada, a palestrante comparou a extensão territorial do Brasil com sua terra, que segundo ela, sofre com a imposição constante de limites geográficos, acarretando graves problemas de mobilidade. “Moro a 45 minutos da praia, mas meus sobrinhos não conhecem o mar. As crianças palestinas não podem visitar o mar. Se as meninas de uma família precisam ir a outra aldeia para estudar, os pais preferem não deixar por medo do assédio. As crianças crescem vivendo limitadas por muros e dentro de colônias. Nós naturalizamos uma questão que não é natural. Definitivamente, não vivemos na normalidade”, defendeu.
A psicóloga explicou que não se esconde atrás dessa situação. Laila Atshan declarou que se solidariza com os problemas de outras nações, no entanto, a grande problemática para ela é a duração da ocupação militar na Palestina. “Os palestinos vivem com medo e estressados o tempo todo. A todo instante sofremos humilhações. Conheci um professor que apanhou de soldados em um dos pontos de controle na universidade que trabalhava, e por não aguentar mais passar por aquele local, acabou trocando de emprego. Diante disso, me pergunto: quando pais e professores passam por situações como essa, que tipo de educação as crianças vão receber?”, questionou.
Assim, para alcançar as crianças, a psicóloga trabalha primeiro com pais e professores. “Tento fazer com que as pessoas encontrem espaço e esperança dentro do confinamento. A humanidade precisa ser mantida nessas circunstâncias, afinal, são pessoas com sonhos e sentimentos como em qualquer outro lugar. Ando sempre com uma flauta e na hora do desespero começo a tocar, para lembrar as pessoas disso, de que apesar de tudo, a Palestina é um lugar feliz. Nosso país é lindo”, disse.
Laila Atshan emocinou o público ao relatar sua experiência na Palestina
Fonte: Ascom UFG
Categorias: Última hora Palestina saúde mental Abrascão