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Filmes do Brasil Secreto

Editora UFG lança livro sobre cinema brasileiro contemporâneo

Em 10/10/14 09:57.

Filmes do Brasil Secreto é baseado em dissertação do Mestrado em Comunicação da UFG, escrita pelo professor Rodrigo Cássio

Texto: Serena Veloso

Fotos: Juliana Barbacena

Pessimismo, desengano, desencanto. Enquanto o Brasil caminhava para um novo contexto político na década de 1990, pós-ditatura militar, o cinema, que passava por um momento de retomada das produções – abaladas pelo fim de instituições de fomento ao audiovisual, dentre elas a Embrafilme – refletia a realidade vigente, marcada pelo abalo das ideologias. Nesse contexto é que são produzidos os filmes Cronicamente Inviável (1999), de Sérgio Bianchi, e O Príncipe (2002), de Ugo Giorgetti, que trazem um olhar sobre a conjuntura política e social da virada do século, construído por uma geração de cineastas que viveu em sua juventude o sonho de transformar o país, mas que ao mesmo tempo se afligiu com o golpe militar de 1964.

Trazendo uma discussão sobre o cinema contemporâneo a partir dos dois filmes, em uma leitura que resgata ainda as reflexões propostas pelo cinema novo, o professor Rodrigo Cássio Oliveira, lançou na noite de quarta-feira, 8 de novembro, pela editora UFG, o livro Filmes do Brasil Secreto. A publicação, que integra a Coleção Prumo, é resultado de sua dissertação de mestrado, defendida no Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFG.

Lançamento do livro Filmes do Brasil Secreto

Professores e alunos da UFG prestigiaram a noite de autógrafos no lançamento do livro publicado pela editora UFG

Durante a noite de lançamento, que ocorreu no Shopping Bougainville, houve a exibição do filme O Príncipe, seguido de um debate com a presença do diretor do longa, Ugo Giorgetti, com mediação do professor da UFG e diretor da Cinemateca Brasileira, Lisandro Nogueira. “O filme traz a experiência de uma geração, sendo bastante crítico em relação à realidade encontrada no momento, mas com um olhar bastante terno”, destacou o autor do livro, que percebe também um humor sutil nos personagens, diferentemente do humor escrachado dos atuais filmes de grande audiência produzidos no país.

Rodrigo Cássio analisa a relação entre a arte e a ideologia sob a perspectiva do cinema brasileiro no período da Retomada (1994 – 2002), a partir da própria construção estética e narrativa dos filmes. “Há nos dois filmes um incômodo pela incompletude de um projeto nacional, condizente tanto com o espírito de globalização dos anos 1990-2000 quanto com a discussão sobre o fim das lutas ideológicas, uma vez que as visões de mundo do século XX se apresentavam desgastadas”.

Para o professor Lisandro Nogueira, orientador da dissertação, o trabalho de Rodrigo Cássio traz um diferencial em sua metodologia, ao retirar da própria análise do filme a essência para a discussão teórica que permeia as duas produções. “É um livro muito importante, em que a análise do cinema brasileiro é feita com muita pertinência. O Rodrigo tem um trabalho muito profundo com o cinema”, parabenizou.

Lançamento do livro Filmes do Brasil Secreto

O diretor Ugo Giorgetti (à esquerda) falou, durante debate, sobre as reflexões políticas e sociais acerca do Brasil discutidas no filme O Príncipe 

A pesquisa se desdobrou na tese de doutorado que será defendida neste mês pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O trabalho retorna ao Cinema Novo, em uma análise da obra de Glauber Rocha, para procura compreender a maneira pela o cineasta elabora a questão desengano e da ideologia.

Ideologia em crise

Apontado por alguns críticos como um filme pessimista, O Príncipe traça um retrato desacreditado sobre a cidade de São Paulo, com a história do personagem Gustavo (Eduardo Tornaghi), que retorna à capital paulista após viver 20 anos em Paris. Durante a visita, ele auxilia seu sobrinho internado em uma clínica psiquiátrica e, ainda, reencontra amigos de longa data, personagens que remontam uma visão desiludida sobre a antiga geração de intelectuais brasileiros.

“A minha geração falhou. Mas falhou no sentido de que os sonhos de juventude são muito grandes, não cabem na realidade. Quando jovem, você quer viver o mundo de uma maneira que ele não é”, declarou Giorgetti sobre o filme. No entanto, o diretor alertou que não enxerga a produção apenas pela vertente do pessimismo, mas também da amizade e das perspectivas que abre para pensar a situação do país. E pontua: “o filme é otimista por uma razão: ele não fica paralisado no pessimismo”.

Fonte: Ascom UFG

Categorias: Última hora lançamento de livro Editora UFG Mestrado em Comunicação

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