Universidade discute problema de drogas nas escolas
Na manhã do último sábado, dia 13, no anfiteatro da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), ocorreu o II Encontro sobre drogas na UFG. O evento, organizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PRPPG) da universidade, contou com três mesas-redondas e apresentação de pôsteres. A mesa diretiva foi composta pela pró-reitora de graduação em exercício, professora Dulce Amarante, pela coordenadora geral de pesquisa da universidade, professora Rita Gorete e pelo reitor, professor Edward Madureira Brasil.
Marcelo Sodelli, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), participou da mesa-redonda “Escola e drogas: uma discussão necessária” e afirmou que a prevenção contra o uso de drogas é algo que acontece pouco. O professor afirmou que, no geral, acontecem eventos pontuais, como semana de saúde e palestra com especialistas, mas que o ideal seria eventos sistêmicos, que acontecessem o ano todo. Marcelo Sodelli apontou vários fatores que contribuem para esse quadro nas escolas, como por exemplo, a visão do educador de que esse trabalho deve ser feito por um especialista e não por ele. Outro fator apontado pelo professor da PUC é como o educador vai lidar com a abstinência do uso de drogas nos alunos. Segundo ele, a situação é apresentada aos professores como se eles tivessem que provocar o não uso de drogas nas escolas.
De acordo com professor Marcelo, a solução estaria na mudança de postura dos educadores, que têm de ser responsáveis por reduzir vulnerabilidades e não fazer com que seus alunos não façam mais uso de drogas. “O educador tem que refletir muito para que possa desenvolver um bom trabalho. Antes de tudo, é necessário repensar o que é educação e qual é o papel da escola na vida desse jovem”, finaliza.
Na mesma mesa-redonda, a professora Eroy Aparecida Silva, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) afirmou que o uso de drogas é um costume antigo e que a idéia de banir esse consumo é praticamente ilusória. Segundo ela, o começo do uso de drogas ocorre na adolescência e é nesse período que a prevenção deve ser intensificada, porque é quando ocorre a formação do corpo e de valores. Eroy Aparecida explicou que discutir vulnerabilidades de jovens é discutir a questão de inclusão e exclusão social. De acordo com ela, o consumo de drogas pelo jovem surge como uma forma de inclusão em um grupo, em resposta as várias exclusões já sofridas por ele.
Professora Eroy aponta como solução uma reformulação na formação de educadores e na capacitação dos jovens. “É necessário promover aprendizagens sociais aos jovens para que eles tenham uma visão mais crítica sobre a sociedade e saiba distinguir melhor o certo e o errado”, explana a professora da Unifesp. “Além disso, temos de repensar a formação dos nossos licenciados, adequando o currículo das universidades de modo que o profissional saia capacitado para lidar com os problemas do uso de drogas no seu ambiente de trabalho”, conclui.
Source: Asom/UFG
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