UFG inaugura primeira Residência em Educação Especial Inclusiva
Iniciativa pioneira integra teoria e prática para formar especialistas na área
Texto: Kharen Stecca
Fotos: Lucas Yuji
A Universidade Federal de Goiás (UFG) deu início à primeira turma do Programa de Residência Profissional em Educação Especial Inclusiva do país, um marco histórico e pioneiro voltado para a articulação entre pesquisa, teoria e prática na educação básica. O evento de abertura, realizado no auditório da Biblioteca Central no Campus Samambaia, no dia 20 de fevereiro, reuniu autoridades acadêmicas e políticas para celebrar a aula inaugural de uma proposta que sistematiza anos de caminhada do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE) na formação de professores para a inclusão. O programa, criado com recursos próprios da instituição, é fruto de uma parceria entre a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) e o CEPAE. Confira o álbum de fotos do evento.
O novo curso despertou alto interesse nacional, registrando 580 inscrições válidas de candidatos vindos de diversos estados, como Bahia, São Paulo, Maranhão e Amapá, além de várias cidades de Goiás. O programa é destinado a profissionais recém-graduados em Pedagogia e demais licenciaturas, com o objetivo de entregar à sociedade docentes altamente qualificados para o trabalho pedagógico inclusivo. Durante os dois anos de duração do curso, os dez residentes selecionados cumprirão uma jornada intensiva de 40 horas semanais, intercalando a prática supervisionada com estudantes no CEPAE durante o período matutino e disciplinas de especialização lato sensu no período vespertino.
Andressa Gomes da Silva, licenciada em Letras é uma das profissionais selecionadas para a residência no CEPAE. Ela já trabalhou com a educação especial e também está cursando o curso de Letras-Libras na UFG. Ela acredita que esta será uma oportunidade de ampliar o conhecimento na área, em especial em Libras, que é sua área de maior interesse e que a UFG é o melhor lugar para isso.
Durante a cerimônia, a coordenadora do programa, professora Giovanna Aparecida Schittini dos Santos, destacou que a residência se afirma como uma proposta singular ao priorizar o acompanhamento formativo qualificado no "chão da escola". Ela ressaltou o caráter coletivo da elaboração do projeto e o compromisso em garantir o acesso, a permanência e a aprendizagem dos estudantes público-alvo da educação especial, superando os limites das formações que desarticulam teoria e prática.
A diretora do CEPAE, professora Neisi Maria da Guia Silva, enfatizou que a residência efetiva um trabalho realizado pela instituição desde meados da década de 1990. Segundo ela, o CEPAE funciona como uma escola de formação que atende centenas de estagiários anualmente, e a residência permitirá que o conhecimento acumulado por pesquisadores e mediadores pedagógicos seja sistematizado e levado para as redes municipais e estaduais de ensino.
A secretária de Inclusão da UFG, professora Jaqueline Araújo, contextualizou a importância do evento dentro da trajetória de inclusão da universidade, citando programas históricos como o UFGInclui. Ela anunciou que a atual gestão está trabalhando na construção de uma política de inclusão institucional transversal e estruturante, que começará a ser elaborada por um grupo de trabalho em março para balizar todas as ações e projetos da universidade nesse campo.
Representando a Pró-Reitoria de Pós-Graduação, a diretora de Pós-graduação Latu Sensu, Larissa Matuda explicou que o modelo foi inspirado nas residências das áreas de saúde e tecnologia, buscando oferecer treinamento prático em serviço. Ela destacou a grande demanda por profissionais capacitados tanto no setor público quanto no privado e o potencial de expansão do programa, que começa como um projeto piloto com financiamento próprio da universidade, mas que visa atrair investimentos externos para ser aplicado em outras escolas.
A pró-reitora de graduação, professora Lueli Nogueira Duarte e Silva, reforçou o caráter inovador e desafiador do curso, ressaltando que não há outro similar no Brasil após a suspensão de programas federais anteriores que possuíam formatos distintos. Ela enfatizou que a residência visa consolidar uma cultura de direitos humanos e êxito estudantil, e que o programa será rigorosamente monitorado e avaliado por meio de relatórios para as instâncias superiores da UFG ao longo dos dois anos.
Encerrando as falas da mesa, a vice-reitora Camila Cardoso Caixeta exaltou a coragem da instituição em inovar e assumir a responsabilidade de criar um projeto que pode servir de exemplo para todo o Brasil. Ela incentivou os novos residentes: “Vocês são fagulhas e potências que replicarão o aprendizado na sociedade”. Ela também afirmou que a universidade, apesar dos desafios de infraestrutura e das críticas externas, segue provando sua potencialidade na mudança social e na valorização da educação pública.
Aula Inaugural - A aula inaugural foi ministrada pela professora Wanessa Ferreira Borges, da Universidade Federal de Catalão (UFCAT). Com o tema "Educação Especial, Inclusão Escolar e Processos Formativos", a docente, que também é uma pessoa com deficiência (baixa visão), discutiu os modelos de assistência, provocando os residentes a refletirem sobre suas concepções profissionais. Vanessa destacou o potencial da residência profissional como uma resposta às fragilidades apontadas pelas pesquisas atuais na formação de professores especialistas.
Quelle: Secom UFG
