
Reitora apresenta 5ª edição do Perfil da Empreendedora Goiana
Relatório é produzido desde 2020 em parceria da UFG e Sebrae
Texto: Kharen Stecca
Fotos: Sebrae
Goiás possui aproximadamente 353 mil empreendedoras e destas cerca de 140 mil empreendem em casa, o que é cerca de 40% do total. Estes são alguns dos dados que compõem a 5ª edição da Pesquisa Perfil da Empreendedora Goiana feita pelo Laboratório de Pesquisa em Empreendedorismo e Inovação (Lapei/FACE) da Universidade Federal de Goiás em parceria com o Sebrae. A pesquisa foi apresentada pela reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima, no evento de empreendedorismo de Goiás, o “Delas – Mulher de Negócios”, realizado no Shopping Cerrado nos dias 28 e 29 de março.
“Fazer a unha, uma comida, uma roupa, por muito tempo não era considerada empreender e nem uma renda. Era uma ajuda dentro de casa”, comentou a professora.
Esse cenário mudou: “Isso não é uma ajuda, é uma fonte de renda e para muitas famílias, a única. Ela explica que as mulheres empreendem em casa principalmente para conciliar o cuidado da casa, dos filhos e idosos: “As vezes isso é uma escolha, as vezes não, mas nem sempre esse trabalho é realizado em condições adequadas, portanto, conhecer esse perfil auxilia instituições como a UFG, o Sebrae e também o governo a pensar políticas públicas para as mulheres.
O relatório mostra que a cada 10 mulheres, 4 empreendem em casa. Os homens são apenas 1 a cada 10. O retorno financeiro nesses casos também é menor: A renda média mensal é em torno de R$ 1755,00 enquanto entre os homens é R$3663. “Isso não é por acaso, eles têm em geral mais tempo para se dedicar ao trabalho em comparação ao trabalho feminino”, afirmou.
Outro dado relevante é que 60% das empreendedoras são pretas e pardas e essas empreendedoras têm menor lucro em relação às empreendedoras brancas. Apenas 35% delas têm graduação, a maioria tem ensino fundamental e médio.
Por outro lado, uma mudança é que as mulheres já se reconhecem como empreendedoras, o que não ocorria antes. A partir desse reconhecimento é possível agora criar canais de apoio a essas mulheres, bem como fomentos específicos.
Desafios
Alguns dos desafios encontrados pelas mulheres e apontados pela pesquisa são a separação entre despesas pessoais e de negócio; Equilíbrio das atividades do negócio e a rotina doméstica e demandas familiares; improvisações e limitações das infraestruturas da casa para operação do negócio e o desconhecimento de regras e legislações sobre a abertura e manutenção de um empreendimento em casa. Angelita destacou a importância do estudo continuado já tendo chegado a 5ª edição. “A partir disso é possível reavaliar os dados, bem como a execução do que foi planejado e sugerido pelos relatórios como políticas públicas”, afirmou.
Thainara Nunes é agente de mídias sociais e terapeuta comportamental e participou da palestra. Para ela, é essencial que as mulheres saibam o que é possível fazer trabalhando em casa, as profissões em que esse perfil se encaixa. Sheyla Jehnne, confeiteira, começou recentemente a empreender em casa para ter mais contato com os filhos. Ela não conhecia a pesquisa e achou o evento muito importante no sentido de trazer essas informações para as mulheres empreendedoras.
Fonte: Secom/UFG