
Curta o câmpus promove vivência no Núcleo Takinahakỹ
Durante evento, acadêmicos indígenas tiveram acesso a serviços de saúde
Texto: Carolina Melo
Fotos: Júlia Barros
Pinturas indígenas, oficinas de grafismos e línguas indígenas, contação de histórias e exposição dos pôsteres dos trabalhos acadêmicos dos discentes do Núcleo Takinahakỹ de Formação Superior Indígena possibilitaram a vivência da 12ª edição do Curta o Campus UFG Território Indígena, na manhã de quinta-feira (4/7). Os participantes puderam conhecer um pouco mais de perto a proposta do curso de Educação intercultural, passeando pelos laboratórios, pelo Espaço Cultural Wèkède Maria do Socorro Pimentel da Silva e pelas salas de aula. O evento também marcou a recepção aos acadêmicos de cerca de 30 povos indígenas, que durante o mês vão cumprir a etapa do curso na UFG. Confira a galeria de fotos.
Os visitantes tiveram a oportunidade de participar de exposições de artesanatos, conhecer os livros em línguas indígenas produzidos pela Ação Saberes Indígenas na Escola e assistir às apresentações de cantos e danças indígenas.Também foi possível conhecer sobre as Plantas Alimentícias Não-convencionais (Pancs), apresentadas pelo Programa Educação Tutorial Engenharia de Alimentos (PET EngAli), ter acesso à nota técnica e ao protocolo para primeiros socorros à pessoas com epilepsia na Universidade, produzidos pelo Projeto de Extensão Epilepsia em Foco, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), e participar da oficina de produção de copos de bambu, ofertada pela Rede Bambu Goiás, da Escola de Agronomia (EA)
Atendimento à saúde indígena
Durante o evento, os acadêmicos indígenas tiveram acesso aos serviços de saúde disponibilizados pelo projeto de extensão Programa de Saúde Indígena da UFG, articulado pelo Núcleo Takinahakỹ, pela Pró-reitora de Assuntos Estudantis (PRAE/UFG), pela Pró-reitoria de Graduação (Prograd) e Secretaria de Inclusão (SIN/UFG). Triagem médica, odontológica, vacinação e atendimento clínico de doenças respiratórias foram disponibilizados durante toda a manhã no Centro de Saúde do câmpus Samambaia. “Aqui vamos fazer um check up do pulmão, com a mesma qualidade que fazemos no Hospital das Clínicas (HC)”, afirmou o vice-diretor da Faculdade de Medicina, Marcelo Riabahi.
O coordenador do curso de Educação Intercultural, Andrey Nikulin, agradeceu a Universidade pelo projeto com o foco na área da saúde indígena e agradeceu a presença da comunidade acadêmica. “Estamos felizes com a presença dos visitantes, alunos e alunas que vieram conhecer o nosso trabalho. Espero que nossos laços se fortaleçam”. O vice-reitor Jesiel Freitas aproveitou a oportunidade para dar boas-vindas aos acadêmicos indígenas. “Que essa seja uma experiência profícua”. E relembrou a posse dos dois docentes indígenas, Gilson Ipaxi’awyga Tapirapé e Eunice Pikodi Caetano Moraes Tapuia, que se formaram pela Universidade. “A sensação é de alegria e realização do dever que nos cabe”.
A reitora Angelita Pereira de Lima afirmou que mais do que as “boas-vindas”, “boas notícias” marcam a primeira edição do Curta o Câmpus no Núcleo Takinahakỹ. De acordo com a reitora, o Programa de Saúde Indígena na UFG vem sendo estruturado, “articulando a saúde, o ensino e a extensão” e visa a promoção não só de atendimento e acolhimento como também de pesquisas na área da saúde indígena. Ainda no espaço das boas notícias, a reitora informou sobre a aprovação pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, da construção da Aldeia Intercultural, ou seja, da casa do estudante indígena, com alojamento e auditório. “Hoje é dia de celebrar, cultivar e motivar a esperança da UFG e no que produzimos juntos para que o futuro seja melhor”. afirmou.


Trocas culturais
Ao som do berimbau e cânticos indígenas, a troca de saberes e cultura deu o tom do evento. Para a discente Decir Krikati, que entrou no curso de Educação Intercultural em 2021, o evento foi “interessante para entender a forma como as pessoas da universidade trabalham, que é diferente de nossa cultura e de nossa língua”. Ela também chamou a atenção para a oportunidade que as pessoas, de outras áreas da Universidade, tiveram de conhecer o Núcleo na prática, e de vivenciar com os alunos indígenas. “É importante para a gente comunicar a nossa diferença, isso é uma forma de a gente se entender”, disse. A estudante Beatriz Carneiro Vilela, 11 anos, afirmou que foi a primeira vez que teve contato com os povos indígenas. “Apesar de eu ser parda, minhas relações são principalmente com pessoas brancas da minha família. Hoje conversei com muitas pessoas e gostei muito, pois tenho pouco convívio. Os traços dos rostos me chamaram muita atenção”, disse.

“Ninguém gosta daquilo que não conhece”, destaca Fleury Kiegewa Ekureu, 39 anos, egresso do curso de Educação Intercultural. “Sempre defendi que essas vivências são importantes. A partir do momento que as pessoas conhecem, começam a respeitar”, afirmou. Fleury estava orientando os interessados a jogar o Jogo Adugo (da Onça Pintada), utilizado pelo Laboratório de Etnomatemática. “É um jogo milenar de nosso povo Bororo, que usa a estratégia de guerra, de como atacar e como se defender. Há uma peça que representa do adugo (onça pintada) e 14 arikau (cachorros), que têm a finalidade de acuar e deixar o adugo sem saída, enquanto o adugo tem a finalidade de devorar arikau”, explica. Segundo Fleury, o jogo, ao ser levado para fora do país, chegou a ser considerado um jogo europeu, “até que foram fazer seu resgate histórico e descobriram sua origem Bororo”.

Fonte: Secom UFG