
Poct Hub da UFG em parceria com a Merck completa dois anos
Colaboração facilita interação entre academia e setor privado e propicia formação mais completa

Texto: Marina Sousa
Fotos: divulgação
Em 9 de setembro último, o Hub in Point of Care Technologies (Poct Hub) ou Centro de Inovação e Tecnologia, sediado no Centro Multiusuário de Pesquisa de Bioinsumos e Tecnologias em Saúde (CMBiotecs/IPTSP), celebrou seu segundo aniversário. A concretização dessa colaboração foi viabilizada graças à parceria entre a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a empresa alemã Merck, por meio de sua subdivisão Life Science na América Latina. O Poct Hub foi concebido com o propósito de fortalecer a capacidade produtiva da indústria e sua autonomia tecnológica, por meio da formação de profissionais especializados no desenvolvimento e produção de testes rápidos pelas técnicas de imunocromatografia de fluxo lateral, biologia molecular por Lamp e biossensores, também conhecidos como Point of Care (Poct), abrangendo não apenas a área da saúde, mas também as necessidades da agricultura e pecuária.
O vice-reitor da UFG, Jesiel Freitas Carvalho explica que o Hub de Inovação UFG e Merck, inaugurado praticamente junto com o Centro Multiusuário de Pesquisa de Bioinsumos e Tecnologias em Saúde (CMBiotecs), que é um laboratório multiusuário do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP/UFG), é valioso porque reúne a expertise da Universidade com os interesses de desenvolvimentos técnico-científicos da Merck, particularmente, o de testes rápidos tanto no IPTSP quanto no Instituto de Química (IQ/UFG). “É uma parceria bastante proveitosa e faz parte das iniciativas de transferência direta de conhecimento do que é produzido aqui na UFG para a sociedade, nesse caso, por intermédio de uma empresa”, explica o vice-reitor da UFG.
Nos últimos dois anos, a aliança estratégica entre a UFG e a Merck, coordenada pela professora Samira Bührer do IPTSP, impulsionou diversas atividades de ensino e pesquisa no Laboratório de Desenvolvimento e Produção de Testes Rápidos (LDPTR) por meio do Hub. Essa colaboração estimulou muitos alunos e despertou o interesse de outros estudantes de graduação por projetos de Iniciação Científica (IC) no laboratório. No entanto, o impacto mais tangível dessa parceria foi a contribuição da Merck na identificação de uma empresa para a transferência de tecnologia do teste ML Flow para Hanseníase, que agora está disponível na rede do Sistema Único de Saúde (SUS), registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pela Bioclin/Quibasa com o nome de "Bioclin Fast ML Flow Hanseníase". “Isso representa uma série de benefícios notáveis e nossa expectativa é que, juntos, possamos expandir cada vez mais nossas atividades”, conta Samira Bührer.
A diretora do IPTSP, Flávia Aparecida de Oliveira, ressalta que a contribuição dessa parceria para o desenvolvimento de pesquisas e atração de novos talentos é o que a Universidade tem buscado cada vez mais. “Ter o Hub em nossa casa oferecendo oportunidades para os estudantes, proporcionando uma formação mais completa e alinhada às demandas do mercado de trabalho tem sido muito importante, pois isso facilita a colaboração entre a academia e o setor privado, que por sua vez permite a transferência de tecnologia e a aplicação prática dos conhecimentos gerados, logo essas ações são de grande impacto”, esclarece a diretora .
Atualmente, a equipe do Laboratório de Desenvolvimento e Produção de Testes Rápidos (LDPTR), em plena atividade, é composta pela servidora do IPTSP/UFG, Mônica da Guarda Reis, juntamente com os pesquisadores Leonardo Lopes Luz, Matheus Bernardes Torres Fogaça e o biotecnologista Djairo Pastor Saavedra, todos da UFG. Esses profissionais são coordenados pela professora Samira Bührer.
Intercâmbio de conhecimentos científicos
A docente Gabriela Rodrigues Mendes Duarte do IQ, coordena o desenvolvimento de testes de amplificação isotérmica, técnica RT-LAMP, e o diretor do IQ e docente Wendell Coltro, é o responsável pelo desenvolvimento de testes com biossensores eletroquímicos. Segundo Samira Bührer, todas as decisões da parceria são realizadas em conjunto, haja vista que há um intercâmbio de ações e trocas entre os laboratórios de pesquisa do LDPTR e do IQ com o Centro de Inovação e Tecnologia - Hub in Point of Care Technologies.

O Poct Hub é composto por docentes e pesquisadores do IPTSP e IQ, atuando como colaboradores essenciais ao integrar suas especialidades no HUB. Essa sinergia impulsiona significativamente o avanço das pesquisas que envolvem as tecnologias em que cada um deles se dedica. Um exemplo desta colaboração é a conquista do Convênio firmado para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do projeto escrito pela equipe coordenada pelas pesquisadoras Samira Bührer e Mariane Martins de Araújo, intitulado "Novas Biotecnologias de Diagnóstico Rápido da Hanseníase Aplicáveis ao SUS", em que foram agraciadas no ano de 2022. O objetivo deste projeto é desenvolver um teste Lamp, especialidade de Gabriela Duarte e sua equipe de pesquisadores do IQ, com a leitura dos resultados por imunocromatografia de fluxo lateral, especialidade da Samira Bührer e sua equipe.
“Esses projetos de inovação são ações que estão sendo impulsionadas por estudantes, professores e técnicos laboratoriais da UFG, em parceria com cientistas da Merck, uma troca de grande impacto, pois a geração de resultados robustos dependem também desses recursos extramuros, visto que a universidade não consegue garantir todo apoio necessário, devido ao baixo orçamento destinado às universidade no geral ”, explica Samira Bührer.
Por dentro do Hub
Importante destacar, como energia propulsora da força do Hub, a atuação dos egressos de Biotecnologia da UFG, Leonardo Lopes Luz, Matheus Bernardes Torres Fogaça e Djairo Pastor Saavedra que além de pesquisadores do LDPTR, fazem parte da equipe que ministra cursos de treinamento de profissionais da indústria, participam na avaliação da viabilidade de projetos de co-desenvolvimento, auxiliar em consultorias, transferência de tecnologia e no design, produção e avaliação de protótipos de testes rápidos.
Matheus Bernardes Torres Fogaça destaca que sua experiência no Hub tem sido profundamente enriquecedora, proporcionando uma ampliação notável de seu conhecimento em pesquisas voltadas para a indústria, uma área menos comum na academia. Ele ressalta que a parceria entre a UFG e a Merck não é apenas importante, mas também vital para assegurar a independência tecnológica e fortalecer a indústria nacional de testes para diagnóstico de doenças negligenciadas e emergentes.
Fogaça enfatiza que esses testes possuem um vasto potencial de aplicação na pecuária e agricultura, setores fundamentais para a economia regional e nacional. Ele aponta para a notável carência de dispositivos simples e acessíveis para monitorar doenças, pragas e detectar agrotóxicos ilegais, transgênicos, além do diagnóstico de enfermidades em animais da pecuária, incluindo animais de estimação. Em suma, essa colaboração desempenha um papel crucial em direção à inovação e sustentabilidade nessas áreas-chave.
Olhando para o futuro
A head de Commercial Marketing para América Latina dentro da divisão de Life Science da Merck, Alziana Pedrosa, relata que com objetivos de curto prazo, a empresa quer fortalecer e ampliar a presença do Point of Care Technologies Hub da UFG dentro da comunidade científica da América Latina, para que mais pesquisadores possam usufruir dos benefícios dessa parceria. “Estamos investindo em uma plataforma de e-learning própria, chamada Learn@M, para cocriar conteúdos técnicos e práticos sobre temas relacionados a testes rápidos, focados tanto na comunidade científica, quanto na indústria, e com isso democratizar o acesso a essas tecnologias”.
Ela expõe que também há o investimento em melhorias para o acesso a amostras clínicas, sejam elas humanas, veterinárias ou agrícolas, para acelerar as etapas de validação dos protótipos em ambiente real de uso e diminuir o time-to-market dos projetos que estão apoiando. “A longo prazo, esperamos que essa parceria possa ser estendida a outras regiões e que etapas de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) possam ser incorporadas”, relata Alziana Pedrosa, head de Commercial Marketing para América Latina dentro da divisão de Life Science da Merck.
Além dos recursos financeiros, a parceria da Merck com a UFG inclui a doação de equipamentos, colaboração com expertise técnico-científica para desenvolvimento profissional e projetos do Centro de Inovação Tecnológica, e apoio na ampliação das fases de Pesquisa & Desenvolvimento para identificação do ciclo de vida das tecnologias dedicadas à execução de testes de diagnóstico rápido.
Fonte: IPTSP UFG