
Nota de falecimento
Manoel de Souza e Silva era professor aposentado da Faculdade de Letras da UFG
A Universidade Federal de Goiás (UFG) lamenta informar o falecimento do professor aposentado da Faculdade de Letras (FL), Manoel de Souza e Silva, ocorrido na quinta-feira (13/7). O professor Manoel iniciou sua trajetória como docente na UFG em 1992 e permaneceu na Instituição até 2010, período em que exerceu atividades de docência, pesquisa e administração. Tinha experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira e Literaturas em Língua Portuguesa, atuando principalmente nos seguintes temas: estudos afro-brasileiros, identidade, alteridade, memória e colonização
Segundo o professor da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da UFG e secretário de Promoção da Segurança e Direitos Humanos (SDH) da UFG, Ricardo Barbosa de Lima, o professor Manoel foi muito importante para a instituição dos estudos e pesquisas interdisciplinares em direitos humanos na UFG. Desde a instituição do Programa de Direitos Humanos no âmbito da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) em 1999. Ajudou a construir a primeira coleção de publicações sobre violência criminalizada (homicídios) do Brasil: a série "Violência em Manchete" que era um parceria entre Editora UFG, da qual foi diretor, com a Editora da Universidade de Brasília (EdUnB) e com o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH). E também foi fundamental para o Núcleo de Direitos Humanos (NDH) ministrando aulas sobre a questão racial no Brasil nos primeiros cursos em pareceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Intelectual negro e professor titular deixou a UFG para ajudar a construir a nova Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira. "Lembro dele contar a epopeia de sua família desde a Bahia até São Bernardo do Campo (SP) e o processo particularíssimo da decisão desse jovem preto, periférico e de família de trabalhadores da indústria automobilística decidir cursar Letras na Universidade de São Paulo (USP). E isso no meio da tensão das greves na região do ABC e da redemocratização brasileira. Não esqueço nunca da emoção que narrou sobre o dia que Lula saiu da prisão e foi pra casa de sua família para falar com com a turma do sindicato dos metalúrgicos do ABC. Perdi não só um amigo, mas uma referência pessoal que me motivava a buscar a possibilidade de ter um trajetória intelectual desde o mundo do trabalho", recorda Ricardo.
A UFG e a FL se solidarizam com a família, amigos e colegas de Manoel de Souza e Silva neste momento de pesar.
Fonte: FCS e FL