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Mais importante do que resultados é se movimentar

Em 19/10/20 10:48. Atualizada em 19/10/20 10:51.

É possível manter atividades físicas mesmo em distanciamento social

Kharen Stecca

Especialistas de todo o mundo estão preocupados com a onda de sedentarismo proporcionada pela pandemia do novo coronavírus. No Brasil, estima-se uma queda de 17,4% no índice de atividades físicas do brasileiro (Fonte: artigo BBC).O servidor técnico-administrativo da Secretaria de Comunicação da Universidade Federal de Goiás (Secom), Leonardo Rézio, se matriculou no curso de Yoga do Centro de Práticas Corporais no início do ano de 2020. Ele se preparava para iniciar o doutorado em Direitos Humanos, em paralelo a sua rotina na Secom antes da pandemia. Quando o trabalho remoto chegou, ele conta que durante um tempo manteve as aulas de yoga on-line. “No entanto, parei de fazer. Considero que por falta de disciplina. Acabo deixando pra depois. Ultimamente, faço algumas caminhadas, mas acho que poderia estar fazendo mais”, ressalta. Ele não é exceção. Com o distanciamento social muitas pessoas deixaram de frequentar academias e acabaram tornando-se sedentárias. Um problema que vem se agravando e que, por enquanto, não parece estar perto de terminar. 

O coordenador do Centro de Práticas Corporais da Faculdade de Educação Física e Dança da UFG, professor Francisco Luiz de Marchi Neto, ressalta que a casa é um espaço privado e que há atividades que eram inerentes a ela, como comer, cuidar da higiene, dormir, descansar. Por força da pandemia, tudo se voltou para esse ambiente: academia, trabalho, escola. Apenas em casas de pessoas de maior poder aquisitivo é possível contar com espaços separados que puderam ser adequados de uma maneira melhor a essa nova realidade: “Em moradias populares não tem como dividir isso. O trabalho, os exercícios, as aulas, tudo atrapalha a rotina da casa. Como colocar a academia dentro de casa?” Ele brinca que antes o patrão dizia para que não levássemos problemas de casa para o trabalho, mas que agora o trabalho entrou dentro de nossas casas.

O professor ressalta que antes tínhamos lugares específicos para cada coisa: igrejas para rezar, academias para se exercitar, escritórios para trabalhar, escolas para estudar. De repente, tudo precisa se adaptar no mesmo espaço e, mesmo que haja espaço, é preciso também disciplina.  “Nós somos seres sociais, os ambientes sociais tem seus espaços específicos para prática. Os equipamentos estão lá, tudo é próprio para isso, há o professor orientador. O local é um ponto de encontro, encontramos outras pessoas e nessa comparação com outros, socialmente nos motivamos. Em casa não temos essa motivação. Ninguém vê o que você faz.”, afirma o professor.

E o sedentarismo ganha um aliado: a proximidade dos alimentos. Se nos estressamos, corremos para a cozinha e buscamos um alimento, em geral, calórico. Não por acaso, pesquisas mostram o aumento do consumo de carboidratos e, também, álcool.  “Isso explica o aumento de peso e de doenças silenciosas. Sem percebermos, o home office está nos adoecendo aos poucos”, ressalta o professor.

E como sair dessa espiral tão danosa para o corpo e a mente? O professor sugere que, neste momento, o importante é manter algum tipo de atividade: “Mora em apartamento? Suba escadas. Consegue andar em um lugar com pouco movimento de pessoas? Use máscara e faça uma caminhada. Tem uma corda? Pule corda. Mas, ele ressalta a necessidade de evitar uso de equipamentos coletivos, mesmo que em ambientes abertos, como bolas ou equipamentos funcionais compartilhados. “O importante é se mexer, fazer algo e algo que dê prazer, para facilitar o engajamento na atividade”, afirma ele. 

Francisco ressalta que precisamos ter pequenos cuidados no dia a dia: “pegar sol, tomar água, comer alimentos saudáveis, sair da frente do computador e das telas, andar descalço na terra. Coisas básicas, respirar fundo. Pequenas coisas que podem auxiliar o movimento. Que a gente não precise de uma doença para valorizar nossa saúde”.

“As pessoas estão no limite, precisamos traçar caminhos para atravessar esse momento até chegar um novo momento social. Manter a calma,  ser esperançoso, projetar que o tempo é o melhor professor da história. Estamos em um momento oportuno, aprendendo novas coisas. Temos que ter calma. Perdoar as nossas limitações, nossa irritabilidade. Boa alimentação, bom sono, condições mais saudáveis possíveis dentro de nossas condições financeiras. Buscar o ambiente, o sol, o ar, a alimentação saudável. Pensar um pouco mais, ler alguma coisa que nos acrescente. Se estamos limitados socialmente, porque não buscar a interiorização por uma leitura que te acrescente? O momento requer um pensamento mais largo, mais amplo”. São as dicas do professor Francisco.

Centro de Práticas Corporais

Assim que foram suspensas as aulas presenciais, os bolsistas e professores começaram a oferecer orientações remotas abertas, não só aos matriculados no projeto, mas a toda comunidade. Cada projeto foi adaptado para ofertar remotamente. “Alunos estão sendo orientados a postar textos, exercícios, esclarecimentos, deixar o telefone à disposição para troca de informações. Mas, não são todos os participantes que acompanham esse processo. São mais de 1200 pessoas inscritas e, infelizmente, pouca gente adere às atividades.

Para saber mais sobre o projeto acesse a página do CPC em casa: https://cpc.fefd.ufg.br/p/33251-cpc-em-casa

 

dica do servidor

Fonte: Secom UFG

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