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Criado o Núcleo de Formação em Extensão da UFG

Em 09/10/26 14:53.

Iniciativa de criação do Nufex visa estimular o diálogo e a permanente troca de saberes

Texto: Caroline Pires

Fotos: Letícia Michalczyk

 

A partir de agora, a Universidade Federal de Goiás (UFG) conta com mais um espaço para fortalecer a atuação e a institucionalização da extensão universitária. Foi criado hoje, 8/10, o Núcleo de Formação em Extensão da UFG, com o objetivo de ofertar ações formativas na área, apoiar a gestão de ações extensionistas e o uso de ferramentas institucionais, estimulando a troca de saberes e a democratização do conhecimento. Hoje, a UFG conta com ações de extensão em todas as regiões do estado e soma 3.302 projetos na área.

Destacando a necessidade de pensar sobre as melhores estratégias para levar ações de extensão mais realistas e projetos mais competitivos, a vice-reitora da UFG, Camila Caixeta, afirmou que em nove meses de gestão foram feitas duas grandes ações nessa área. A primeira delas foi a criação da Pró-reitoria de Arte e Cultura, sendo que essa reestruturação tornou a Pró-Reitoria de Extensão ainda mais fortalecida para continuar realizando suas atividades com excelência. “Que possamos pensar a potência da Universidade de uma maneira efetiva para transformar pessoas e gerações e impulsionar ainda mais o nosso país. Temos muito orgulho do que construímos. Que possamos estar cada vez mais sensíveis às demandas da sociedade”, defendeu a vice-reitora.

 

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Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Marcus Vinicius David, defendeu e apresentou ações de fortalecimento da extensão que são desenvolvidas

 

Já o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Marcus Vinicius David, entende que a extensão é capaz de mudar o patamar de formação dos estudantes. “O modelo de alocação de recursos é uma estratégia para que aquelas universidades que ainda não investem na extensão passem a realizar esse movimento. Isso passa também pela alimentação dos sistemas, para que possamos entender cada vez melhor o cenário”, afirmou.

A pró-reitora de Extensão, Luana Ribeiro, afirmou que o núcleo nasce com a missão da formação, “mas também de qualificar nossas ações, garantindo espaço para o diálogo. A ideia da curricularização da extensão é justamente mudar a perspectiva da nossa formação. A via é de mão dupla, usando a extensão para impactar a sociedade ainda mais”, destacou. Ela lembrou ainda que não havia uma coordenação específica que conversasse com a Extensão Universitária, mas que, em 2025, foi instituída a Coordenação-Geral de Extensão (CGEx), vinculada à Secretaria de Educação Superior (SESu/MEC). Além disso, a pró-reitora elogiou a criação do Sistema de Informações da Extensão (Siex), que reúne dados da área no Brasil.

Reforçando que não é possível pensar na extensão sem o envolvimento dos estudantes, a pró-reitora adjunta de Extensão, Adriana Régia Marques de Souza, afirmou que o núcleo nasce como “uma ação sustentável e de extrema importância para garantir a visibilidade e a valorização das ações extensionistas”. Segundo ela, o projeto foi gerado ao longo de quatro anos e foi pensado a partir de uma metodologia baseada no ciclo de dialogicidade, estimulando sempre a troca de saberes.

João Pedro Lima e Pedro Cesarim, estudantes do curso de Educação Musical, fizeram a apresentação cultural que deu início às atividades.

 

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Auditório contou também com a presença de estudantes de graduação e pós-graduação

 

Extensão como transformação 

Ao apresentar um panorama da extensão na perspectiva nacional, Helder Eterno da Silveira, professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), defendeu que a formação dos professores deve ser vista de maneira provocativa e permanente dentro das instituições, uma vez que isso se reflete diretamente em fatores muito importantes, como os índices de evasão e permanência. “São 24 milhões de vagas no ensino superior e só 2,5 milhões são oferecidas por universidades públicas. Precisamos chegar à população e as instituições precisam se responsabilizar por projetos realmente formativos. A extensão é fundamental, pois ela é a democratização”, frisou. Segundo ele, a pesquisa muitas vezes ainda é priorizada em relação às outras frentes e é preciso “ter a decência de que quem não quer atuar no ensino e na extensão que se retire para integrar centros de pesquisa externos”. Helder Silveira argumentou ainda que a extensão não é assistencialista, mas sim um braço do processo formativo: “ela é sobre como dialogamos, ler a realidade e o contexto social para além dos currículos, ressignificando as relações com o mundo”, defendeu. Por fim, ele provocou os presentes a desenvolver a extensão de uma forma efetivamente dialogada, uma vez que a sociedade só entenderá a Universidade quando efetivamente for incluída nas suas atividades.

Heloísa de Castro Paula, pró-reitora de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Catalão (UFCAT), apresentou o panorama atual do fórum de pró-reitores da área, que conta hoje com 18 instituições na região Centro-Oeste. “Quantos projetos de pesquisa fazemos que surgem da extensão? Não podemos fazer isso sem dialogar com nossa comunidade e nossos territórios. O que trouxemos das pessoas para a Universidade e o que deixamos lá?”, questionou a professora ao reforçar a necessidade de troca de saberes. Ela defendeu ainda que as fundações de apoio alcancem também a destinação de recursos para a extensão.

Para encerrar as atividades, a diretora da Faculdade de Nutrição da UFG, Thaisa Anders, apresentou uma experiência exitosa de extensão: a Feira Interinstitucional Agroecológica, que é desenvolvida desde 2019 a partir de parceria entre a UFG, o Instituto Federal de Goiás (IFG), o Instituto Federal Goiano (IF Goiano) e agricultores familiares. “Nesses sete anos de trabalho, fomentamos o empoderamento e a autonomia para os grupos, visando que eles consigam alcançar o meio de comercializar os seus produtos”, compartilhou a professora ao apresentar os quilombolas e agricultores assistidos pelo projeto. Segundo ela, a realização da feira é apenas a ponta do iceberg e o projeto só é possível graças a uma parceria permanente com diversas áreas da Faculdade de Nutrição, outras unidades da UFG, as instituições parceiras e os agricultores familiares. Ao todo, foram realizadas mais de 80 edições, além da produção de livros, artigos e um documentário.

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