Programação encerra Setembro Verde na UFG
Com o tema “Inclusão não é favor. É direito”, evento discutiu acessibilidade e capacitismo
Texto: Anna Júlia Moreira
Fotos: Carlos Siqueira
“Precisamos garantir que a acessibilidade esteja presente nas salas de aula, nos laboratórios, nos eventos, nas pesquisas, nos projetos de extensão, na comunicação, nas tecnologias, nos espaços físicos e, principalmente, nas nossas atitudes. Uma universidade verdadeiramente inclusiva é aquela em que a pessoa com deficiência não precisa perguntar ‘será que eu posso estar aqui?’. Ela simplesmente sabe que este lugar também é dela”, afirmou. Esta foi a fala de abertura do evento “Inclusão não é favor. É direito”, promovido no dia 30 de setembro na Universidade Federal de Goiás em alusão ao Setembro Verde, mês de conscientização sobre a inclusão social das pessoas com deficiência. Confira as fotos do evento.
Também na abertura, a diretora de Acessibilidade da Secretaria de Inclusão da UFG, Ana Cláudia Maranhão, reafirmou que a inclusão não é um favor, é um direito, e que combater o capacitismo é responsabilidade de todos. A vice-reitora, Camila Caixeta, destacou a importância de ter a diversidade representada na universidade e de contar com pessoas engajadas na inclusão de pessoas com deficiência. “Não podemos esperar que as coisas sejam ideais e perfeitas para resolver os problemas de inclusão”, disse.
Ressignificação
A programação incluiu ainda a palestra “Vozes Femininas na Construção do Paradesporto em Goiânia”, com Samara de Oliveira Felipe, atleta e gerente de Desporto Paralímpico do município de Goiânia, e Luzia Inês Oliveira de Sousa, professora de Educação Física, mestra em Educação, Linguagens e Tecnologias e supervisora do Centro de Referência Paralímpico-Goiânia.
Durante a palestra, Samara contou que não nasceu com deficiência e ficou paraplégica após um acidente ocorrido em um relacionamento abusivo. Depois disso, buscou motivação para continuar levando uma vida ativa e afirmou que foi o esporte que a salvou.
Samara conheceu o paraciclismo em 2018. A atleta foi campeã pan-americana em 2019, na categoria WH4. Ela contou que também se aventurou no parabadminton e disputou o Sul-Americano em Lima, no Peru, em 2024, mas decidiu focar no paraciclismo.
Ainda no bate-papo, a professora Luzia Inês compartilhou a experiência de trabalhar com Samara. Segundo ela, conviver com a atleta ampliou seu olhar sobre acessibilidade e políticas públicas. “Em algumas circunstâncias que não têm tanta acessibilidade, não têm tanto acesso, a Samara tem que se posicionar. É inconsciente, por mais que a gente trabalhe com inclusão, tem coisas que passam despercebidas”, afirmou. Luzia também reforçou a importância de ocupar as universidades para falar sobre inclusão e anticapacitismo, a fim de garantir mais sensibilidade e construir uma sociedade mais humanizada.
A programação contou ainda com uma atividade prática sobre o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), conduzida pela professora doutora Jaqueline Araújo, secretária de Inclusão da UFG, com foco na construção de práticas educacionais mais acessíveis. Para encerrar o evento, ficou aberta à visitação a exposição “Inclusão em contradição: entre o dito, o feito e o vazio”, também na Biblioteca Central da UFG. As atividades promoveram espaços de diálogo, reflexão e valorização.
Quelle: Secom
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