Lançada primeira cátedra Unesco sediada em Goiás
Cátedra Saberes Patrimoniais, Biodiversidade e Cidadania será coordenada em parceria com Universidade Portuguesa
Texto: Caroline Pires
Fotos: Evelyn Parreira
Em compromisso com a produção permanente de conhecimento, foi inaugurada, no dia 17/9, a Cátedra Saberes Patrimoniais, Biodiversidade e Cidadania, da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A cátedra será coordenada pela professora da Faculdade de Ciências Sociais, Izabela Tamaso (UFG), em parceria com a professora Ema Pires (Universidade de Évora, Portugal). A abertura contou ainda com a apresentação musical de Pedro Vaz, professor da Escola de Música e Artes Cênicas da UFG. Confira o álbum de fotos do evento.
“Há dias em nossas vidas que têm muito mais que 24 horas; eles são feitos de milhares de horas, anos e décadas que trazemos conosco”, iniciou seu discurso Izabela Tamaso, ao lembrar que o patrimônio, as tradições, os ofícios e os saberes foram algo que ela começou a aprender com seu pai, ainda na década de 70, e a sua defesa pelos saberes culturais da cidade de Pinhal, no interior de São Paulo. Segundo ela, o objetivo geral da Cátedra será priorizar o diálogo entre comunidades, “integrando o patrimônio cultural às políticas públicas ambientais, garantindo melhores condições de vida para as pessoas e tendo a sustentabilidade planetária com base em uma ética ecológica”, explicou. A professora ressaltou que a universidade é o lugar onde se pode viver as utopias e as esperanças para a preservação dos saberes patrimoniais e da biodiversidade, tendo o Cerrado como alicerce. “Que esta cátedra seja como aquele fogo que meu pai apagava na madrugada em Pinhal. Não o fogo que destrói, mas um fogo que guarda, que protege, que ilumina o caminho de quem vem depois”, finalizou.
A coordenadora de Projetos Estruturantes da Coordenação-Geral de Extensão da Diretoria de Desenvolvimento Acadêmico da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, Damiane dos Santos, ressaltou que quem está permanentemente envolvido na educação sempre espera a apresentação de projetos como esses, que transpõem os muros e vão além da rotina diária. “Essa Cátedra, sem dúvidas, nos dá um quentinho no coração, já que reafirma a universidade como um espaço de formação gratuito, público, laico e de qualidade. Essa parceria irá contar sempre com o Ministério da Educação”, afirmou. Cláudia Lira, vice-prefeita de Goiânia, relembrou uma operação realizada na Chapada dos Veadeiros, quando ainda era policial militar, e falou da maneira como ficou impactada com toda a vida e potencialidade da região: “que essa Cátedra se eternize e tenha uma vida longa, assim como o nosso Cerrado”.
Deyvisson Gusmão, presidente do IPHAN, gravou uma mensagem ressaltando que a criação da Cátedra estimula o conhecimento e que “o seu próprio nome aproxima nossa instituição desse grupo que une, valoriza e, especialmente, une as pessoas e os seus saberes”. Por fim, ele reforçou que o patrimônio é um pretexto para o acesso à cidadania, e por isso há também a importância da cátedra para permitir que as comunidades alcancem também outros aspectos que estão embutidos nesse conceito.
Representando a diretora e representante da UNESCO no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, a oficial de Projeto de Cultura da UNESCO no Brasil, Greciene Dantas, aproveitou a oportunidade para apresentar a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), criada em 1945, e que está presente hoje em 194 países. Segundo ela, as cátedras Unesco são compostas por uma equipe e devem ficar sediadas em uma instituição de ensino superior ou pesquisa, dedicadas a produzir conhecimento e desenvolver atividades em uma área alinhada às prioridades da UNESCO; hoje, existem 39 cátedras Unesco no Brasil. “Elas são laboratórios de ideias e pontes de conhecimento entre a sociedade civil, instituições e políticas públicas. Que venham novas pesquisas e produção de conhecimento para essa nova cátedra Unesco”, resumiu.

A diplomata e primeira-secretária da Comissão Nacional do Brasil para a UNESCO no Itamaraty, Irina Feisthauer Silveira, ressaltou que esse lançamento nasceu de uma iniciativa de 2024, e que essa é a primeira cátedra Unesco sediada em Goiás, um marco institucional e que reflete a capilaridade da cooperação acadêmica. “Ao articular patrimônio cultural e natural com biodiversidade, tomando como referência bens reconhecidos pela Unesco, como a cidade de Goiás, a Chapada dos Veadeiros e o Parque Nacional das Emas, o projeto rompe com a separação convencional que eu considero um pouco retrógrada, e consegue aproximar natureza e cultura, orientando parte da política patrimonial internacional”, afirmou.
Lembrando que a UFG criou recentemente a Secretaria de Arte e Cultura, que atuará diretamente também na área do patrimônio, Sandramara Matias Chaves, reitora da UFG, destacou como essa criação reflete o valor dado a essa área atualmente na universidade. De acordo com ela, a cátedra vem somar esforços nesse campo que é tão fundamental do ponto de vista social, e ela espera que “a cátedra possa desenvolver no campo da pesquisa, no campo do ensino, da extensão e daquilo que ela se propõe em relação à preservação do patrimônio, da biodiversidade e da cidadania. A universidade é um ambiente extremamente profícuo e sem dúvida promissor para o desenvolvimento dos trabalhos”, finalizou.
Estiveram presentes na cerimônia, a Reitora da Universidade Federal de Goiás, Profa. Sandramara Matias Chaves; a Diplomata e Primeira Secretária da Comissão Nacional do Brasil para a UNESCO no Itamaraty, Irina Feisthauer Silveira; a Oficial de Projeto de Cultura da UNESCO no Brasil, Greciene Dantas; a Diretora e Representante da UNESCO no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto; a Diretora do Camões - Centro Cultural Português em Brasília, Sandra Pires; a Embaixadora de Portugal no Brasil, Isabel Brilhante Pedrosa; a Vice-Prefeita de Goiânia, Coronel Cláudia Silva; a Coordenadora de Projetos Estruturantes da Coordenação-Geral de Extensão da Diretoria de Desenvolvimento Acadêmica da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, Damiane dos Santos; a Secretária Municipal de Cultura da Cidade de Goiás, Goiandira Fátima Ortiz de Camargo;; o Secretário de Relações Internacionais da UFG, prof. Alexandre de Araujo Badim; a Diretora da Faculdade de Ciências Sociais da UFG, profa. Camila Romero Lameirão; e a Titular da Cátedra e professora da Faculdade de Ciências Sociais da UFG, profa. Izabela Maria Tamaso.

Titular da Cátedra, Izabela Tamazo, recordou a sua infância e dedicação aos estudos sobre Patrimônio

Diplomata e primeira secretária da Comissão Nacional do Brasil para a Unesco no Itamaraty, Irina Feisthauer Silveira, se colocou a disposição
Source: Secom/UFG
