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Vozes e saberes plurais constroem a Universidade

On 08/04/26 16:35 .

UFG deu início a Semana do Planejamento 2026/2 promovendo a Inclusão

Texto: Caroline Pires

 

Dando início às atividades do segundo semestre de 2026, foi realizada ontem, 3/8, a abertura da Semana de Planejamento 2026-2, com o tema: Diversidade que transforma: inclusão e visibilidade de povos indígenas, quilombolas e ciganos no ensino superior. A mesa-redonda sobre o tema contou com os professores Eunice Pirkodi Caetano Moraes Tapuia, Jonathas Xavier Pereira e a pesquisadora e estudante quilombola egressa da UFG, Marta Quintiliano, sob mediação da professora Elisandra Carneiro de Freitas, do Campus Cidade de Goiás. Durante o encontro, os palestrantes apresentaram a necessidade de problematizar os sujeitos e os seus saberes, destacando a maneira como o coletivo deve ser a base para um despertar contínuo e permanente da prática docente. Afinal, como os sujeitos estão exercendo o seu direito ao Ensino Superior diante das possibilidades de inclusão e em meio à diversidade do acesso? O evento foi construído de forma conjunta pela Pró-reitoria de Graduação (Prograd), Pró-reitoria de Pós-graduação (PRPG), Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) e Secretaria de Inclusão (SIN). Confira o álbum de fotos

 

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Eunice Pirkodi Caetano Moraes Tapuia é a primeira docente mulher e indígena da UFG

 

Abordando o desafio de acolher ciganos, sendo um professor dessa etnia na UFG há 8 anos, Jonathas Xavier Pereira falou sobre o tema a partir da sua perspectiva pessoal. Segundo o professor do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP), pensar os povos ciganos muitas vezes vem carregado de estereótipos e estigmas sociais, sendo uma parte silenciada da história do Brasil. “Goiás é o terceiro maior estado brasileiro em população cigana. Vocês realmente acham que não dão aula para nenhum? Precisamos começar a falar mais sobre isso”, convidou ao debate o professor. Ele ressaltou a forma como há uma indefinição sobre os subgrupos dentro da etnia, assim como falta de estatística, visibilidade e, consequentemente, sem políticas e direitos. “A ignorância gera medo, que promove o preconceito e, em seguida, a discriminação. Isso gera conflitos sociais graves”, afirmou.

 

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Jonathas Xavier iniciou as atividades tocando o hino cigano Djelem Djelem

 

Em seguida, a professora Eunice Pirkodi Tapuia, primeira docente indígena mulher da UFG, atuando junto ao curso de Educação Intercultural Indígena, ressaltou que, apesar dos avanços, ainda é necessário melhorar ainda mais a vida dos povos indígenas na UFG. “A diferença provocada pela entrada na Universidade é feita na vida não só do indígena, mas de toda uma comunidade e um povo. E chegamos nesse espaço há pouco tempo, então eu entendo que os caminhos ainda estão sendo construídos”, afirmou. Ela lembrou as barreiras que os indígenas precisam enfrentar: “A Universidade acha que a questão linguística é o maior desafio, mas o grande ponto de desencontro é a forma como passamos os conhecimentos como indígenas, que é pela oralidade, e isso, sem dúvidas, também acaba ressoando na escrita”, exemplificou. Além disso, ela lembrou que os estudantes têm acesso ao RU, mas que a comida não é a que eles têm costume, o que pode acarretar questões relacionadas à saúde. A barreira cultural também gera grandes desencontros: “Para não sermos questionados, muitas vezes nos silenciamos e isso vai tornando inviável permanecer aqui. Precisamos superar essa questão cultural e acolher efetivamente os povos originários”, afirmou. Por fim, ela frisou a importância da representatividade, uma vez que, “se isso acontecer, saímos desse rol de depender de sensibilidade”, finalizou.

“Diversidade é convidar para a festa e Inclusão é chamar para dançar”. Com essa frase, Marta Quintiliano instigou todos a reviver questões que são fundamentais para pensar os quilombolas na UFG. Ela destacou que, quando ingressou na Universidade, em 2011, e em 2013 passou a se engajar ativamente no Coletivo União dos Estudantes Indígenas e Quilombolas (Uneiq/UFG) no processo de acolher e aquilombar dentro da UFG, participou ainda da criação do grupo de pesquisa Pqui e da organização de manifestações diante de casos de racismo. Durante seus estudos, ela passou a entender como o racismo, o patriarcado e o machismo interferem na permanência dos quilombolas, mas que o ato de estar entre os seus permite a elaboração do Afroafeto, que é uma aceitação de disposição à solidariedade emotiva, formando o vínculo identitário.

 

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A pesquisadora Marta Quintiliano iniciou sua trajetória na UFG em 2011

A pesquisadora formulou esse conceito e o exemplificou como sendo uma articulação de redes de apoio mútuo, autocuidado e solidariedade tecidas entre estudantes negros, quilombolas e indígenas no Ensino Superior. Mais do que um sentimento, segundo ela, o termo é capaz de condensar a potência de uma estratégia política de sobrevivência e permanência nesses espaços, transpondo as mais variadas barreiras e acolhendo as subjetividades. Marta Quintiliano lembrou que muitas vezes foi questionada sobre qual deveria ser a forma de “lidar” com estudantes quilombolas, mas defendeu que esse termo não é adequado: “A forma de lidar com e tratar o estudante quilombola por quem não sabe é estudar e compreender esses sujeitos”, defendeu, ao lembrar que a UFG ainda não possui nenhum docente quilombola.

 

Abertura do evento

A coordenadora da programação, Keila Matida de Melo, destacou que a temática desse semestre é uma continuidade das atividades realizadas no começo do ano. “Queremos entender a maneira como as diferenças podem alargar as perspectivas do ensino-aprendizagem, pressupondo pertencimento e reconhecimento da diversidade”, afirmou. Já a secretária de Inclusão da UFG, Jaqueline Araújo, lembrou que, há 1 ano e meio, trabalha em uma escuta atenta e afetiva que culminou no Plano de Gestão 2026-2030, aprovado pelo Conselho Universitário. “O que mais me chamou atenção foi a preocupação genuína para que a inclusão fosse efetiva nos diferentes âmbitos da universidade, apontando a necessidade de desenvolver políticas que respondam concretamente às demandas”, defendeu. Segundo ela, esse processo é permanente e a UFG apenas tem o reconhecimento dele porque inúmeras pessoas, ao longo de décadas, colaboraram com essa história, em especial Luciana Dias, primeira secretária de inclusão da SIN, e a equipe da secretaria. Ela destacou ainda as ações articuladas com a Ouvidoria e a Secretaria de Segurança e Promoção dos Direitos Humanos (SDH) e adiantou que já está em elaboração a criação da Política de Inclusão da UFG. “Reafirmo a inclusão e a acessibilidade como princípios transversais e estruturantes”, finalizou.

Defendendo que essa temática remete a uma política permanente e fundamental, a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Maisa Miralva, afirmou que a democracia é um pilar social que defende a UFG e que tratar da inclusão e da diversidade é estruturante. “A inclusão requer discernimento, compromisso e também a capacidade de atuar com coragem. Na Prae, trabalho diante de todas as especificidades, sabendo que todos têm o direito de não só levar saberes, mas deixar os seus”, defendeu. A pró-reitora de Pós-graduação, Laura Vilela, lembrou o quanto é desafiador estar preparado para fazer inclusão e que a vivência é fundamental: “Precisamos nos formar para aprender a fazer inclusão e, nesse momento, ao pensar essa pauta, precisamos destacar como essa questão já está em voga nos grandes editais de fomento”.

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Mesa de abertura foi composta apenas por mulheres

 

Para além de um momento burocrático, a Semana do Planejamento é um momento de reafirmação do espaço de pluralidade de trajetórias, identidades e saberes, afirmou a pró-reitora de Graduação, Lueli Nogueira. Segundo ela, é fundamental esse processo de valorizar e entender as histórias coletivas e conhecimentos tradicionais, bem como suas diferentes formas de organização social, sendo capazes de questionar modelos muitas vezes homogêneos e excludentes. “Nesse contexto, os docentes são aqueles que acompanham de maneira mais direta e são capazes de antecipar os riscos de evasão e exclusão desses estudantes. As coordenações de curso também têm o papel fundamental de escuta”, destacou. Assim, é necessário que as diferentes perspectivas sejam levadas em conta e que “tenhamos agora a possibilidade de avançar em ações concretas e compromissos institucionais duradouros, para que possamos iniciar esse momento como sendo uma universidade realmente comprometida com a inclusão das pessoas”, concluiu.

A vice-reitora da UFG, Camila Caixeta, defendeu que “a UFG seja cada vez mais saudável e que todos que passarem por aqui possam viver esses momentos de sua vida de uma maneira memorável”, desejou. A reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, comemorou o auditório cheio e repleto de servidores empenhados em discutir questões importantes para o debate sobre a inclusão: “Ao longo dos meus 34 anos de UFG, venho lutando pela inclusão na universidade e isso vem desde antes do UFGInclui. Tudo isso só é possível porque muitas pessoas também contribuíram nesse sentido”, lembrou. A reitora acredita que as conquistas somente podem acontecer por conta dessa colaboração e trabalho realizado de maneira coletiva: “Cada um, ao seu tempo, seu modo e suas oportunidades, conseguiu colaborar com o que temos hoje. Sem dúvidas, precisamos de mais recursos para atender nossos estudantes, uma vez que mais de 70% dos recursos do PNAES vão apenas para a alimentação”, apresentou. Para conseguir oferecer a assistência estudantil necessária, muito mais precisa ser feito para proporcionar a inclusão e a permanência. “É por toda a UFG que estamos trabalhando e é preciso somar esforços para continuar fazendo da Universidade cada vez mais forte”, defendeu a reitora. Para além de mais recursos para as universidades, a reitora afirmou que está junto com os demais gestores para sanar o passivo existente, mas ainda seguir avançando, com a proposta da criação dos cursos de Cooperativismo, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia.

 

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Reitora destacou que a Diversidade, Inclusão e Permanência estudantil são fundamentais e que está com permanente contato com o MEC para que os recursos para essas áreas sejam ampliados

 

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Mesa-redonda foi mediada pela professora do curso de licenciatura Educação no Campo e Pedagogia, do Campus Cidade de Goiás, Elisandra Carneiro de Freitas

Source: Secom/UFG

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