saudeindigena06_capa.jpg

Estudantes indígenas recebem programa de Atenção Integral

En 13/07/26 15:39 .

Criado há 4 anos, Programa de Saúde Indígena orienta estudantes e seus familiares

Texto: Arthur Gabriel

Fotos: Carlos Siqueira

 

Na última sexta-feira, 11/7, ocorreu, no Instituto de Formação Superior Indígena Takinahakỹ a 4ª edição do projeto Programa de Saúde Indígena Dahömanadzé. O evento em questão tem como principal objetivo promover a saúde dos estudantes indígenas da Universidade Federal de Goiás (UFG) através de avaliações médicas, fisioterápicas, oftalmológicas, odontológicas, pediátricas e vacinação. Além disso, a ação oportunizou o estabelecimento de trocas entre os conhecimentos médicos e os saberes provenientes da cultura ancestral indígena. Confira o álbum de fotos.

O evento contou também com a participação de professores da Faculdade de Nutrição (Fanut), que conduziram uma roda de conversa sobre hábitos alimentares indígenas. A professora Thaísa Anders, durante o debate, comentou que na atualidade há valorização de produtos alimentícios industrializados. “Nossa cultura alimentar está cada vez mais dependente daquilo que é produzido de forma industrial. As crianças, principalmente, estão cada vez mais reféns disso. Há um desafio muito grande de garantir que os alimentos em natura voltem a fazer parte das nossas mesas e refeições”, afirmou Thaísa.

A estudante do curso Intercultural Indígena Cristiane Apoiuri afirmou  que em sua aldeia, a cultura alimentar ancestral tem sido influenciada pelo consumo exacerbado de produtos não naturais. Ela comenta que é preciso buscar conscientização para que a população indígena possa viver de maneira saudável: “Já é a segunda vez que participo da ação. Eu sempre volto para minha comunidade trazendo os conhecimentos que adquiri durante o curso. Além disso, eu incentivo também que as mulheres da aldeia estudem cada vez mais. Por que, hoje em dia, lutamos com a caneta, e nossa história ainda precisa ser escrita”, relata a estudante. 

O professor do Instituto Takinahaky Carlos Bianchi apontou que o projeto é importante tanto para os estudantes indígenas quanto para os estudantes da área da saúde da UFG. “Ações como essa são essenciais para que os estudantes interculturais indígenas adquiram todos os recursos necessários para continuar a caminhada na universidade. Além disso, os estudantes de medicina, por exemplo, ao participarem das atividades propostas aqui, são contemplados com ricos aprendizados ao terem contato com povos que muita das vezes não encontram-se presentes no dia a dia deles”, afirma Carlos. 

A médica Marta Maria Alves, que atua na Comissão de Saúde da UFG, disse que os estudantes interculturais precisam ser acolhidos. “ Muitas vezes os indígenas chegam na universidade com alguns problemas de saúde em decorrência das constantes mudanças de localidade e alimentação que eles passam”, comentou a médica.  Segundo ela, além da oferta dos cuidados médicos, é preciso orientar cada estudante buscando a prevenção de inúmeras doenças. Ela afirmou ainda que a ação promove uma troca de relações que permitem uma gama de aprendizados. “ Esse projeto busca qualidade de vida, troca de experiências e de cuidado e acolhimento com os povos indígenas, para que estes possam viver com dignidade e qualidade de vida”, finalizou. 

Histórico

Trabalhando pela metodologia da Pedagogia da Alternância, os estudantes do Instituto de Formação Superior Indígena Takinahakỹ vão ao Câmpus Samambaia duas vezes ao ano e os professores também atuam nas aldeias indígenas duas vezes ao ano. Muitas vezes viajando por dois ou três dias, eles passam esse período afastados da aldeia e sem contar com a familiaridade da sua região de origem, o que pode resultar em questões de saúde novas ou demandar atenção especial para outras que já são crônicas. “Fazemos uma avaliação geral de saúde de todos os estudantes do Instituto e, após uma triagem eles são direcionados a grupos específicos dentro das especialidades. Desde o primeiro ano da ação, estamos mantendo o projeto, com esse dia D, que neste ano será no dia 10 de julho”, explicou Carlos Bianchi, subchefe do Instituto. Desta maneira, os estudantes, que ficam por 5 semanas na UFG, são encaminhados para o Centro de Saúde Samambaia, e, se necessário, a partir de lá para outras estruturas da UFG, como o Hospital das Clínicas ou serviço de Odontologia, por exemplo. 

 

 saudeindigena04.jpg

Estudantes do curso de odontologia orientaram os participantes

 

 saudeindigena05.jpg

Atendimentos englobam estudantes e suas famílias

 

 saudeindigena01.jpg

A programação contou com realização de vacinação

 

 

Fuente: Secom/UFG

Categorías: Notícias Noticias