Dupla homenagem em uma história de dedicação à Cardiologia
Salvador Rassi e Paulo César Brandão Veiga Jardim são os novos professores eméritos da UFG
Texto: Caroline Pires
Fotos: Evelyn Parreira
Em um momento de dupla homenagem, receberam o título de professor emérito da Universidade Federal de Goiás (UFG), Salvador Rassi e Paulo César Brandão Veiga Jardim, na noite, 9/6. O evento marca o reconhecimento da instituição aos professores, não só pelos serviços prestados ao longo de décadas, mas também pela sua dedicação e impacto na formação, assistência e amor à Medicina. Os professores colaboraram para a criação e consolidação de pesquisas na área de cardiologia em Goiás, além de terem encabeçado o fortalecimento da pesquisa, sem perder de vista a formação profissional e ações de extensão que seguem colaborações para transformações de vidas, dentro e fora da academia. Salvador Rassi foi conduzido na cerimônia pelos professores Daniela Rassi e Aguinaldo de Freitas Júnior, já Paulo César Brandão Veiga Jardim foi conduzido por Weimar Sebba e Mauri Felix de Sousa. Confira o álbum de fotos.
Coube ao professor Weimar Sebba destacar o papel fundamental de Paulo César Veiga Jardim, como uma das principais referências científicas no Brasil no que se refere a doenças arteriais. “Seus ensinamentos a partir de agora estarão ainda mais vinculados eternamente a toda a vida acadêmica que permeia a Faculdade de Medicina na UFG”. Ele lembrou que o professor encabeçou a criação da Liga de hipertensão arterial, em 1989, atuou como diretor da FM e foi um dos idealizadores do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde, que já publicou centenas de artigos. “Ele criou uma escola de hipertensão no estado de Goiás, ocupando uma posição de destaque no cenário nacional e internacional. Mas sem dúvida sua maior contribuição foi na formação profissional. A minha escola e meu amor pela medicina se chama Paulo César Brandão Veiga Jardim”, finalizou.

Salvador Rassi e Paulo César Brandão Veiga Jardim se conheceram ainda na adolescência e se reencontramos anos depois como docentes da UFG
Reforçando que está imerso em uma enorme alegria mas em um turbilhão de lembranças, Paulo César Veiga Jardim lembrou que ingressou na UFG em 1977 e que divide, desde então, inúmeros momentos de celebração e conquista com Salvador Rassi. “A nossa chegada na clínica médica foi o início do sonho de fazer ensino, pesquisa e extensão. Isso começou em uma sala que havia sido desocupada no Hospital das Clínicas”, recordou. Ele afirmou que esse é o encerramento do seu ciclo de vida acadêmica mas que ele continuará sonhando, “recordo um texto de Tiago de Melo: sonhar; mas sem deixar nunca que o sol do sonho se arraste pelas campinas do vento. É sonhar, mas cavalgando o sonho e inventando o chão para o sonho florescer. Por isso digo a todos: vamos continuar sonhando juntos”, finalizou.
Falando como professora e filha, Daniela do Carmo Rassi Frota, se emocionou ao afirmar da dimensão dessa homenagem dupla, com docentes que trilharam a carreira como parceiros e se apoiando. “Salvador Rassi chegou na UFG no final da década de 70 porque queria ensinar, mesmo sem remuneração e reafirmando a sua vocação, impactou a formação de centenas de estudantes, seja na graduação, residência ou pós-graduação”, lembrou. Daniela Rassi recordou a sua infância que foi repleta de momentos em que o pai estava estudando de maneira disciplinada e defendendo uma formação rigorosa, “muitos de seus estudantes retornaram anos depois o agradecendo pela exigência na formação”. Mesmo depois de sua aposentadoria em 2019, ele continuou trabalhando pelo Hospital das Clínicas, já que a atenção e cuidado genuíno seguem sendo suas marcas. “Compromisso sério com o ensino e a recusa em separar princípios éticos de atendimento humano são sua bandeira. Esse reconhecimento diz para as novas gerações: esses são os valores que precisam continuar”, finalizou.
Em 1967, Salvador Rassi e Paulo César Brandão Veiga Jardim se conheceram com 17 anos de idade, quando ainda em São Paulo eles dividiram o ônibus para irem para o cursinho, logo antes de ingressarem no curso de Medicina. Mesmo seguindo caminhos separados por alguns anos, firmam uma parceria ao longo desses 41 anos. “Se vc quer ir longe, não vá sozinho, mas sempre acompanhado. E assim a cardiologia foi crescendo nesses espaços. Em 1995 durante um simpósio, comecei a me dedicar a insuficiência cardíaca e tive muito apoio para isso. Passamos então a nortear essas pesquisas a nível mundial”, destacou. De maneira especial, agradeceu a sua família e dedicou o título aos seus pais, “se eles estivessem aqui, eu gostaria muito que soubessem que tudo valeu a pena”. Segundo ele, a educação não é apenas transmitir conhecimento, mas é levar a capacidade de pensar e descobrir um novo caminho diante de qualquer situação. “Medicina não é ciência aplicada ao corpo simplesmente, mas é o olho no olho. Estamos formando médicos que repetem informações ou que conseguem compreender pessoas? O grande desafio do professor de medicina é unir técnica sem perder o cuidado”, questionou.
“Vocês trazem o que é o verdadeiro mestre: que é aquele que consegue levar os seus discípulos ao limiar do conhecimento”. Com essa afirmação, o diretor da FM, Marcelo Rabahi agradeceu ao legado de mais de 40 anos dos docentes e acredita que muito da energia e da capacidade de transformação de espaço dos professores continuará impactando a faculdade. “Temos esse enorme sentimento de gratidão e continuará nos estimulando”, finalizou.
A reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, iniciou sua fala falando que mais do que uma mera cerimônia, esse momento ultrapassa o exercício da profissão e fala do impacto duradouro em gerações. “Esse momento faz com que vocês tenham os nomes vinculados a um legado que ajudou a construir o legado da instituição. Essa é a celebração dos valores que queremos preservar, como a ética e a transformação de conhecimento científico em impacto social”, defendeu. Segundo ela a FM ao realizar esse momento, reafirma a importância do professor médico que ensino não só técnicas e protocolos, mas sim postura, discernimento e compromisso com o paciente além do respeito à dignidade humana. “Reconhecemos também a força coletiva da FM que forma profissionais e contribui para o desenvolvimento da saúde em Goiás e no Brasil. Esse título projeta as trajetórias e diz a sociedade os valores que a Universidade deseja reafirmar. Somos feito de pessoas com compromisso que ultrapassam gerações”, finalizou a reitora.

Fonte: Secom/UFG
