Servidores são destaque por trabalho para inclusão de pessoas autistas
Certificado de Mérito foi concedido pela Assembleia Legislativa
Texto: Caroline Pires
A secretária de Inclusão da UFG, Jaqueline Araújo, o servidor técnico-administrativo Murilo Ferraz e a professora Sunamita Souza Silva, foram homenageados ontem, 14/4, em sessão solene extraordinária da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás por conta do trabalho que desenvolvem para a inclusão de pessoas autistas. A solenidade ocorreu em consonância com o Abril Azul que foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o mês de conscientização em relação ao Transtorno do Espectro Autista (TAE).
As professoras possuem uma trajetória na área de pesquisa e inclusão de pessoas autistas e, no último ano, coordenaram a oferta de cursos de formação sobre a temática da inclusão das pessoas autistas no contexto escolar e acadêmico. A secretária de inclusão explica que essa experiência tem colaborado para o enfrentamento dos obstáculos enfrentados pelos servidores que atuam com estudantes autistas na UFG ou que cuidam de pessoas autistas. “A Secretaria de Inclusão (SIN) tem realizado diálogos transversais com a comunidade de diferentes unidades acadêmicas e órgãos, na tentativa de construir caminhos para a superação de barreiras como as atitudinais, pedagógicas e comunicacionais”, exemplificou. Jaqueline Araújo acrescentou ainda que a partir do mês de abril, a SIN iniciará a construção da política de inclusão e está previsto que neste documento sejam contemplados o público da educação especial, particularmente pessoas neurodivergentes, em específico pessoas autistas. “Este momento é importante, pois, com base nele, programas e políticas específicas que virão contemplar esse público serão elaboradas”, defendeu.
Docente da UFG desde 2011, Sunamita Souza e Silva, compartilhou que é uma pessoa autista nível 1 de suporte. “Eu tive meu diagnóstico há 2 anos, a partir da observação e diagnóstico do meu filho. Infelizmente, especialmente nesse nível de suporte, as pessoas não entendem a situação de maneira plena e acham que atender a um autista é simplesmente dar benefícios, o que não é verdade”. Segundo ela, o autismo é uma questão de direito e a luta segue sendo grande dentro e fora da UFG. Muitos não conhecem as leis, e vários que conhecem não querem lhe seguir. "Autismo não tem cara, ele é um transtorno de neurodesenvolvimento. Quanto mais informações levarmos sobre isso, melhor", concluiu.
Servidor da Reitoria Digital da UFG, Murilo Ferraz participa do Coletivo Autista da UFG e comenta que ainda é realidade que muitos professores não adotam as orientações e adaptações sugeridas no ambiente acadêmico e escolar. Segundo ele, mesmo com o trabalho da SIN, ainda há muito a ser feito, “acredito que seja muito importante para o ambiente acadêmico o acolhimento e a inclusão das pessoas autistas para gerar um ambiente mais saudável para que todos consigam exercer suas funções de forma mais tranquila”. Vale destacar que, por causa das dificuldades encontradas, poucos autistas conseguem chegar ao ensino superior e acessar o mercado de trabalho. “Muitas vezes, o que falta é apenas um ambiente mais acolhedor e uma relação pessoal mais clara e direta”, defendeu.

Professoras Sunamita Souza e Jaqueline Araújo durante a cerimônia
Fonte: Secom UFG
