UFG lança série de políticas voltadas à proteção da mulher
Entre as novidades estão o Banco Vermelho, Observatório das Mulheres e Ouvidoria de Mulheres
Texto: Kharen Stecca
O dia 24 de março na Universidade Federal de Goiás (UFG) foi marcado por uma intensa agenda de mobilização e lançamento de políticas voltadas à proteção e valorização da mulher. As atividades incluíram a inauguração do Banco Vermelho gigante em frente ao Restaurante Universitário (RU) do Campus Samambaia — um memorial simbólico contra o feminicídio que integra a campanha nacional da Associação dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e o Instituto Banco Vermelho (IBV), além de uma feira com exposição e venda de trabalhos artísticos e produções de mulheres da comunidade. O evento institucional principal, realizado no Centro de Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal, reuniu diversas autoridades para a apresentação de ferramentas estratégicas, como o Observatório e a Ouvidoria, consolidando as ações permanentes da instituição contra a violência de gênero.
A estruturação da Ouvidoria das Mulheres foi apresentada como um marco no fortalecimento das políticas institucionais de acolhimento. A Coordenadora de Processos Organizacionais da UFG, Ana Paula de Castro Neves, explicou que o serviço contará com um protocolo específico de atendimento e a implementação da Sala Lilás, um espaço planejado com isolamento acústico e conforto para garantir privacidade e evitar a revitimização. Além disso, a Ouvidoria oferecerá suporte especializado em psicologia e garantirá que os atendimentos sejam realizados por mulheres, visando proporcionar maior segurança e confiança às vítimas.
O Observatório da UFG sobre as Mulheres foi apresentado pela Pró-reitora de Pós-graduação, Laura Vilela. Ela afirmou que ele surge como uma ferramenta de gestão e cuidado para mapear e monitorar a situação de discentes, docentes e técnicas administrativas. O projeto, que tem previsão de construção de um ano, integrará inicialmente dados internos sobre produção científica, projetos de extensão e indicadores de permanência em uma plataforma de atualização em tempo real. Em uma segunda etapa, o Observatório expandirá seu escopo para incorporar informações públicas de esferas locais e nacionais, consolidando-se como um instrumento político para subsidiar protocolos de prevenção ao assédio e outras violências.
As ações permanentes da universidade estão integradas à campanha "UFG pela vida de todas", que busca ir além do discurso com iniciativas concretas como o Programa de Segurança da Mulher. Entre os destaques tecnológicos está o Botão SOS, um aplicativo desenvolvido pelo Instituto de Informática que permite o acionamento imediato da segurança universitária com envio de geolocalização. A campanha também conta com o apoio da Rádio UFG na iniciativa "Mulher, isso também é violência", que utiliza pílulas informativas para dar visibilidade a formas de abuso psicológico, moral e patrimonial que muitas vezes são naturalizadas no cotidiano.
Em seu discurso, a reitora Sandramara Matias Chaves destacou que estas não são ações isoladas, mas o compromisso de uma gestão que, pela primeira vez em 65 anos, é liderada por duas mulheres. Ela enfatizou a necessidade de políticas públicas efetivas e convocou toda a comunidade, incluindo os homens, a abraçarem a causa da prevenção. Sandramara reforçou que a pauta da segurança e saúde das mulheres será trabalhada de forma integrada ao longo de toda a sua gestão.
A chefe de gabinete do Ministério das Mulheres, Carolina Rocha, ressaltou o compromisso do governo federal com a transversalidade das políticas públicas, citando parcerias com ministérios como Educação, Saúde e Justiça. Ela parabenizou a UFG pela iniciativa e afirmou que o ministério é parceiro para que essas atividades possam ser coordenadas com outras entidades e movimentos sociais, fortalecendo a rede de proteção nacional.
A vice-reitora Camila Cardoso expressou a alegria de concretizar um momento sonhado diante de uma realidade tão desafiadora, reforçando o compromisso social da UFG em ser um lugar mais seguro para todos. A secretária de inclusão, Jaqueline Araújo, emocionou o público ao relatar o feminicídio recente de uma ex-aluna, humanizando os números e reforçando que a campanha busca romper ciclos de silêncio. A vice-prefeita de Goiânia, Cláudia Lira também colocou a prefeitura à disposição para fortalecer a rede de proteção e defendeu a necessidade de investimentos prioritários em ações preventivas educacionais. A representante do Diretório central dos Estudantes, Amanda Santos, pautou as dificuldades de permanência para mães e mulheres LGBTQ+ na academia, enquanto a diretora da ADUFG, Giovana Reis, e os vereadores Kátia Maria e Fabrício Rosa destacaram a "epidemia de feminicídios" no Brasil e a importância da educação e da ocupação de espaços de poder por mulheres para transformar essa realidade.
Durante todo o dia também foi realizada a Feira Mulheres e diversidade em movimento que trouxe empreendedoras mulheres para o Centro de Eventos para mostrar seus trabalhos. Também durante o evento ocorreu o lançamento de livros e diversas apresentações artísticas.
Fuente: Secom UFG
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