Semana Pedagógica propõe ações conjuntas pela Inclusão
Criar uma nova cultura acadêmica nessa área é um dos maiores desafios atuais
Texto: Caroline Pires
Fotos: Evelyn Parreira
Pensar a Inclusão e a maneira como ela demanda aproximações com as mais diferentes esferas da Universidade foi o desafio apresentado, para um auditório lotado, na abertura da Semana de Planejamento Pedagógico 2026/1. O evento, pensado em parceria entre as pró-reitorias de Graduação (Prograd), Pós-graduação (PRPG) e a Secretaria de Inclusão (SIN) foi realizado de maneira totalmente inclusiva, desde a sua concepção, no auditório da Biblioteca Central da UFG, nesta segunda-feira, 23/2. Além de fomentar a criação de uma cultura para inclusão na UFG, as discussões apontaram ainda a necessidade de aumento do orçamento da Universidade, visando ações que vão desde a permanência estudantil a obras para garantir maior acessibilidade. A semana de planejamento foi aberta com o “Brotam todas as flores”, obra que trata sobre o direito às diferenças a partir da história de Ana Beatriz Dalla Deia, uma dançarina com síndrome de down, que se apresentou com sua mãe, Vanessa Dalla Deia, professora da Faculdade de Educação Física e Dança (FEFD). A entrada da Biblioteca Central recebeu ainda a Exposição de Arte Inclusiva, da Faculdade de Educação da UFG, intitulada “Fauna e Flora do Cerrado Brasileiro". Em breve o álbum completo de fotos do evento será disponibilizado nesta notícia.
Sandramara Matias Chaves, reitora da UFG, iniciou sua fala lembrando que pela primeira vez em 65 anos a Universidade é gerida por duas mulheres e que nesses primeiros 40 dias de mandato todos os trabalhos têm sido desempenhados de maneira intensa pela gestão, “sem interromper o que acontecia mas mirando nos projetos que temos para os próximos quatro anos”. A reitora recordou que a UFG foi pioneira na inclusão no Brasil, com o Projeto UFGInclui, criado há 18 anos, o que permitiu que a instituição participasse ativamente da elaboração da Lei de Cotas.
Defendendo que a articulação entre as pró-reitorias e secretarias é fundamental para a inclusão, a reitora convocou a todos a “em um trabalho articulado, promover ações que possam contribuir no sentido de acolher cada uma das pessoas que ingressam na UFG”. Sandramara Matias Chaves lembrou que a inclusão se faz de mãos dadas com a permanência e que um dos maiores desafios são relacionados ao orçamento da Universidade. “Para além disso tudo, estamos propondo o diálogo como pilar dessa gestão, por isso estamos conversando com todas as unidades acadêmicas, realizando reuniões de diretores mensais e deixando as portas do gabinete sempre abertas para receber a todos”, concluiu a reitora.

Falas frisaram a necessidade de trabalho articulado entre as diversas instâncias da UFG para seguir avançando na inclusão de estudantes na Graduação e Pós-graduação
Desejando um feliz ano letivo a todos, Lueli Nogueira, pró-reitora de graduação da UFG, reforçou que há muitos anos são feitas ações de inclusão na Universidade, “mas o que queremos agora é que isso se consolide, por meio de ações práticas para termos uma instituição mais acessível”, pontuou. Ela defendeu que os princípios de equidade de ensino devem pautar a cultura acadêmica na UFG, tendo como norte o objetivo de fazer da Educação um lugar mais inclusivo, “hoje temos um quantitativo pequeno de pessoas com deficiência da UFG, que somam apenas 1% da nossa população de estudantes”. Por fim, ela retomou Paulo Freire, lembrando que o mundo é transformado por pessoas e “são elas que podem e devem promover mudanças políticas e culturais. Que possamos fazer brotar todas as flores que chegam até nós”, finalizou.
A pró-reitora de Pós-graduação, Laura Vilela Rezende, apresentou o dado de que hoje existem apenas 56 estudantes de pós-graduação matriculados e que possuem algum tipo de deficiência. Ela defendeu que sejam pensadas mais políticas de inclusão na pós-graduação: “iremos realizar um profundo diagnóstico, já pensando na avaliação quadrienal que teremos em 4 anos. Que possamos não só planejar mas colocar em prática tudo o que iremos discutir aqui e nas nossas unidades ao longo dessa semana”, defendeu.

Em uma apresentação cativante e emocionante, Vanessa e Ana Beatriz Dalla Deia apresentaram o espetáculo "Brotam todas as flores"
Jaqueline Araújo, secretária de Inclusão da UFG, desejou que esse momento seja um diferencial para todos os presentes, “cada um aqui faz com que a UFG seja maior, e permite que a Universidade produza para além do conhecimento e ciência, também mais inclusão”. Segundo a secretária, para fazer inclusão é preciso pensar em acessibilidade e diminuição de barreiras, “e falar disso também é falar de política e por isso a pensamos de uma forma transversal e estruturante”. Assim, ela convidou os docentes e técnicos-administrativos a se responsabilizar por essa questão no dia-a-dia, especialmente neste ano, em que se comemora os 18 anos da implementação do Programa UFGInclui. “Que nessa maioridade possamos pensar em uma Universidade que vá ao encontro de todos nós. Estamos prontos para receber pessoas para todas as diversidades”, finalizou.
Caminhos para a acessibilidade pedagógica na UFG
Mediada pela professora Patrícia Roberta Machado, coordenadora institucional do PIBID da Prograd, foi realizada, após a mesa de abertura, discussões sobre a realidade atual e os desafios para a maior inclusão na UFG. A professora Ana Cláudia Sá iniciou sua fala frisando que a acessibilidade não se faz só e que ela deve ser pensada desde as primeiras etapas do Ensino, Pesquisa e Extensão, e exemplificou a concepção e ações antecipadas para o evento da abertura da semana do planejamento. A professora apresentou a Lei n.º 13.146, que traz conceitos fundamentais para se iniciar a pensar na inclusão. Sobre a UFG, ela frisou alguns marcos que são importantes para que se tivesse uma política de acessibilidade na instituição, “nesse processo tudo foi muito debatido e essa legislação já produzida na universidade traz também atualidade, mesmo tendo sido feitas há mais de 10 anos. Ouso dizer que a UFG avançou muito em relação a outras Universidades, desde esses momentos iniciais”, considerou.

As professoras Ana Cláudia Sá e Gardênia Lemos compartilharam suas experiências e instigaram os docentes a pensar ações de inclusão mesmo antes da chegada dos estudantes as salas de aula
Avaliando dados, a professora lembrou que em 2017 foram 7 pedidos de matrícula da graduação deferidos, mas esse número saltou para 123 deferimentos em 2025. Já na pós-graduação, foram 5 deferimentos em 2023 se contrapondo aos 73 deferimentos em 2025. “Temos sim um público que deve ser olhado para que possamos avançar em relação a essas barreiras. A inclusão está acontecendo e a permanência está sendo uma luta, especialmente por conta dos orçamentos pequenos”, ponderou.
A professora seguiu sua fala frisando os caminhos para a acessibilidade à pedagogia na Universidade, destacando a importância de questões como: elaboração de um plano individualizado, formação docente continuada, estratégias de ensino/aprendizagem diferenciadas e um plano de ensino passível de alterações. “Precisamos do apoio dentro das Unidades Acadêmicas, mas também do apoio da Diretoria de Acessibilidade, da SIN. Por isso, estamos de portas abertas para os estudantes, servidores, além do apoio às famílias, que têm participado cada vez mais”, defendeu.
Pesquisadora da infância e da adolescência, a professora Gardênia Lemos, se somou às outras falas da tarde destacando a diversidade que chega a sala de aula e lembrou que grande parte das questões relacionadas a essa temática extrapolam a Universidade. “Será que os marcadores nomeiam as dificuldades da inclusão? Como são pensadas as condições pedagógicas ou a responsabilidade coletiva e institucional?”, convidou a reflexão a professora. Segundo ela, a materialização desses questionamentos passam por inclusão, saúde, permanência e aprendizagem. Apesar dos desafios, a professora aproximou as discussões das questões relacionadas à saúde como um todo: “não é preciso que ninguém adoeça ou fique sobrecarregado para haver inclusão. Por isso é preciso trabalhar numa cultura institucional e práticas pedagógicas, condições de trabalho e processos que fazem todo o caminho mais ameno”, concluiu.
资源: Secom UFG
