Residência em Educação Especial Inclusiva

UFG inaugura primeira Residência em Educação Especial Inclusiva 

On 02/20/26 11:53 .

Iniciativa pioneira integra teoria e prática para formar especialistas na área

Texto: Kharen Stecca

Fotos: Lucas Yuji

A Universidade Federal de Goiás (UFG) deu início à primeira turma do Programa de Residência Profissional em Educação Especial Inclusiva do país, um marco histórico e pioneiro voltado para a articulação entre pesquisa, teoria e prática na educação básica. O evento de abertura, realizado no auditório da Biblioteca Central no Campus Samambaia, no dia 20 de fevereiro, reuniu autoridades acadêmicas e políticas para celebrar a aula inaugural de uma proposta que sistematiza anos de caminhada do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE) na formação de professores para a inclusão. O programa, criado com recursos próprios da instituição, é fruto de uma parceria entre a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) e o CEPAE. Confira o álbum de fotos do evento.

Residência em Educação Especial Inclusiva
Residência é marco histórico e pioneiro voltado para a articulação entre pesquisa, teoria e prática na educação básica

 

O novo curso despertou alto interesse nacional, registrando 580 inscrições válidas de candidatos vindos de diversos estados, como Bahia, São Paulo, Maranhão e Amapá, além de várias cidades de Goiás. O programa é destinado a profissionais recém-graduados em Pedagogia e demais licenciaturas, com o objetivo de entregar à sociedade docentes altamente qualificados para o trabalho pedagógico inclusivo. Durante os dois anos de duração do curso, os dez residentes selecionados cumprirão uma jornada intensiva de 40 horas semanais, intercalando a prática supervisionada com estudantes no CEPAE durante o período matutino e disciplinas de especialização lato sensu no período vespertino.

Residência em Educação Especial Inclusiva
Andressa Gomes, licenciada em Letras é uma das residentes selecionadas na primeira turma

 

Andressa Gomes da Silva, licenciada em Letras é uma das profissionais selecionadas para a residência no CEPAE. Ela já trabalhou com a educação especial e também está cursando o curso de Letras-Libras na UFG. Ela acredita que esta será uma oportunidade de ampliar o conhecimento na área, em especial em Libras, que é sua área de maior interesse e que a UFG é o melhor lugar para isso.

Durante a cerimônia, a coordenadora do programa, professora Giovanna Aparecida Schittini dos Santos, destacou que a residência se afirma como uma proposta singular ao priorizar o acompanhamento formativo qualificado no "chão da escola". Ela ressaltou o caráter coletivo da elaboração do projeto e o compromisso em garantir o acesso, a permanência e a aprendizagem dos estudantes público-alvo da educação especial, superando os limites das formações que desarticulam teoria e prática.

A diretora do CEPAE, professora Neisi Maria da Guia Silva, enfatizou que a residência efetiva um trabalho realizado pela instituição desde meados da década de 1990. Segundo ela, o CEPAE funciona como uma escola de formação que atende centenas de estagiários anualmente, e a residência permitirá que o conhecimento acumulado por pesquisadores e mediadores pedagógicos seja sistematizado e levado para as redes municipais e estaduais de ensino.

A secretária de Inclusão da UFG, professora Jaqueline Araújo, contextualizou a importância do evento dentro da trajetória de inclusão da universidade, citando programas históricos como o UFGInclui. Ela anunciou que a atual gestão está trabalhando na construção de uma política de inclusão institucional transversal e estruturante, que começará a ser elaborada por um grupo de trabalho em março para balizar todas as ações e projetos da universidade nesse campo.

Representando a Pró-Reitoria de Pós-Graduação, a diretora de Pós-graduação Latu Sensu, Larissa Matuda explicou que o modelo foi inspirado nas residências das áreas de saúde e tecnologia, buscando oferecer treinamento prático em serviço. Ela destacou a grande demanda por profissionais capacitados tanto no setor público quanto no privado e o potencial de expansão do programa, que começa como um projeto piloto com financiamento próprio da universidade, mas que visa atrair investimentos externos para ser aplicado em outras escolas.

Residência em Educação Especial Inclusiva
A pró-reitora de Graduação ressaltou que o programa piloto passará por monitoramente e avaliação rigorosos para garantir sua qualidade

 

A pró-reitora de graduação, professora Lueli Nogueira Duarte e Silva, reforçou o caráter inovador e desafiador do curso, ressaltando que não há outro similar no Brasil após a suspensão de programas federais anteriores que possuíam formatos distintos. Ela enfatizou que a residência visa consolidar uma cultura de direitos humanos e êxito estudantil, e que o programa será rigorosamente monitorado e avaliado por meio de relatórios para as instâncias superiores da UFG ao longo dos dois anos.

Residência em Educação Especial Inclusiva
A vice-reitora ressaltou a responsabilidade de criar um projeto que será exemplo para o Brasil

 

Encerrando as falas da mesa, a vice-reitora Camila Cardoso Caixeta exaltou a coragem da instituição em inovar e assumir a responsabilidade de criar um projeto que pode servir de exemplo para todo o Brasil. Ela incentivou os novos residentes: “Vocês são fagulhas e potências que replicarão o aprendizado na sociedade”. Ela também afirmou que a universidade, apesar dos desafios de infraestrutura e das críticas externas, segue provando sua potencialidade na mudança social e na valorização da educação pública.

Residência em Educação Especial Inclusiva
Wanessa Ferreira (UFCAT) ressaltou o potencial da residência na formação de professores especialistas

 

Aula Inaugural - A aula inaugural foi ministrada pela professora Wanessa Ferreira Borges, da Universidade Federal de Catalão (UFCAT). Com o tema "Educação Especial, Inclusão Escolar e Processos Formativos", a docente, que também é uma pessoa com deficiência (baixa visão), discutiu os modelos de assistência, provocando os residentes a refletirem sobre suas concepções profissionais. Vanessa destacou o potencial da residência profissional como uma resposta às fragilidades apontadas pelas pesquisas atuais na formação de professores especialistas.

 

Source: Secom UFG

Categories: Notícias CEPAE Prograd